Eu não sei exatamente o que acontece comigo. Do nada estou bem, superando, vivendo, colhendo flores no jardim, noutro instante, desabo em lágrimas contidas a tanto tempo que parece que nunca vão cessar. E essas lágrimas caem por ti meu bem. Pois é difícil suportar as dores do “não possuir”, é difícil suportar não te ter, você me entende? Sou como um prédio, eu suporto por tempos, mas há o momento em que desabarei, ás vezes em casa, por outras, na rua mesmo, com olhos curiosos em cima de mim, mas o que poderei fazer? E sussurro palavras sem nexo no meio da rua, em casa, em frente ao espelho: “Quando vens?” “Não tarde a chegar” “Colocarei mais biscoitos para assar, e mais uma xícara de leite para fazermos nescau” “Te espero”. Me diga quando essa espera vai ter fim? Me diga se você vem! Estou aqui, esperando. Esperando, há dois anos. Venha. E se as lágrimas secarem? O que farei? É mais dolorido não poder extravasar vez ou outra. Lhe imploro, mais uma vez, venha! Não sei quanto poderei suportar.
0 notes (12:06)29 notes (10:33)“Hoje deu vontade de chorar e eu só queria um colo para encostar minha cabeça e fingir que o mundo lá fora não existe.”
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Quanta intensidade cabe num ser de pouco mais de um metro e meio? Quanta dor pode caber em um coração que mal cabe na palma da mão? Quanta solidão cabe em uma alma que só implora por amor? Quantas vezes posso morrer em uma noite e ainda assim acordar na manhã seguinte? Quantas pilhas de cartas serão necessárias para que alguém note que tudo que eu escrevo trata-se sobre não ter você e só ter incessável vazio? Quantas perguntas redondamente retóricas terei que fazer para que você perceba que cada passo nesse mar de escuridão é na procura por uma misera faísca de luz, toda caminhada é uma busca incessante por você.
— Hélida Carvalho (via caramelos-floridos)
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“Procurei-te naqueles corredores vazios que ao mesmo tempo estavam cheios de rostos desconhecidos. Dentro de mim havia a esperança de encontrar-te, até o ultimo segundo não deixei de te esperar. Tentava encontrar em outros olhos, olhos que pudessem ser os seus; tentei encontrar em outros lugares, algum lugar que você poderia estar aconchegado. Procurei. Procurei. Procurei, e nada encontrei. Quando vi que ali não havia nenhum sinal de sua eminente presença, um sentimento ruim tomou conta de mim, e eu não pude segurar as lágrimas da saudade descontrolada.”
— Foi exatamente assim que me senti, eu procurei, procurei, procurei, mas é claro, você não estava lá, não estava em lugar nenhum. Bem provável que nunca vai estar.



